O Velho que Lia Romances de Amor, de Luis Sepúlveda
- Felipe Reimberg Berlofa
- 30 de dez. de 2023
- 2 min de leitura

"Muitas vezes ouvira dizer que com os anos chega a sabedoria, e ele esperara, confiado em que tal sabedoria lhe oferecesse o que mais desejava: ser capaz de conduzir o rumo das recordações e não cair nos laços que estas frequentemente armavam."
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐❤️
Editora: Porto Ltda
Embora esteja imerso nas aventuras de Percy Jackson e os Olimpianos nestas férias, reservei também tempo para explorar narrativas curtas que carregam consigo profundas reflexões.
Escrito pelo autor chileno Luis Sepúlveda, o livro nos transporta para a exuberante floresta amazônica, onde a simplicidade da vida indígena entrelaça-se com a complexidade das relações humanas e a natureza selvagem que a envolve.
A narrativa segue Antônio José Bolivar, figura conhecida na pequena cidade de El Idilio. O título da novela reflete a principal característica de José, que encontrou nos romances de amor uma forma de enfrentar a dura realidade da cidade ribeirinha e as recordações de sua vida. No entanto, em meio a essa caracterização, surge a ameaça de um jaguar aos habitantes e turistas da região. Cientes da expertise de Bolívar na floresta, convocam-no para caçar a fera.
Nesse embate entre homem e natureza, Sepúlveda tece uma narrativa que ultrapassa a simples luta física; ele nos conduz para dentro do coração de José, explorando sua vida e relação com a floresta. Essa relação é retratada com uma poesia envolvente, destacando a conexão intrínseca entre ele e sua história de vida na região.
Outro aspecto cativante do livro são os elementos da cultura indígena, nos quais o autor explora a riqueza dos costumes e a sabedoria dos anciãos, refletindo sobre a preservação da natureza e os desafios da convivência pacífica entre diferentes culturas.
Dessa forma, "O Velho que Lia Romances de Amor" transcende a mera narrativa de sobrevivência; é uma meditação sobre a vida, o amor, a solidão e a passagem do tempo. Luis Sepúlveda captura a essência da condição humana por meio da jornada emocional de Bolívar, envolvendo o leitor em um universo onde a simplicidade de um idoso e a força de um jaguar entrelaçam-se em uma dança emocional. Essa dança nos convida à reflexão sobre a vida, nossa relação com a natureza e como o tempo molda nossas vidas.
Uma leitura rápida que se revela valiosa a cada página!
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